Para fugir do crescimento zero
Por Antonio Carlos Ribeiro
Sistemas imperialistas aplicam a política do crescimento zero para países subdesenvolvidos, nem que para tanto precisam promover crises e guerras para manter os povos dessas nações endividados e saquear os seus recursos naturais.
A observação é do pastor, cientista político e educador Noé Ávila para uma platéia de 55 pastores, catedráticos e jovens convidados pelo Observatório Ecumênico de Direitos Humanos do Conselho Latino-Americano de Igrejas (Clai) para debater, no domingo 5, a refundação de Honduras.
Ávila centrou a exposição em como se cria e se mantém uma estrutura de poder e riqueza, a partir da experiência eclesial. Retomando a idéia de Agustín de Ipona, ele estabeleceu uma espécie de pirâmide para refletir uma sociedade mais parecida ao céu, estrutura que hoje domina ao mundo como o é o capitalismo e o neoliberalismo, a partir da concepção do poder e como esta se manifesta dentro das congregações. Read the rest of this entry »
Biógrafo acrescenta adjetivo espião a Bonhoeffer
O mundo moderno aprendeu a gostar do teólogo luterano que resistiu ao nazismo e participou da conspiração da resistência que planejou o atentado contra Adolph Hitler. Tinha clareza de raciocínio e piedade, era jovem, brilhante, ecumênico, foi pastor na Espanha, residiu em Londres, estudou no Union, em Nova Iorque, atuou no Seminário de Finkenwald e na Igreja Confessante, já que a oficial apoiou o nazismo, e escreveu um clássico da mística moderna: O preço do discipulado (Nachfolge, em alemão).
Esse era o perfil que o tornava intrigante aos olhos do público teológico. Quando se pensava conhecer o básico sobre uma vida cheia de significado desse homem de fé, teólogo agudo e militante ousado, que enfrentou um regime desumano, eis que surge a obra de Eric Metaxas (Bonhoeffer: Pastor, Martyr, Prophet, Spy. Minneapolis: Augsburg Fortress Press, 2010) acrescentando aos honoráveis títulos de pastor, mártir e profeta, o de espião.
Isso não abala os traços da vida deste profeta moderno que discordou da igreja do Reich e, como João Batista, foi uma voz no deserto. Mas acrescenta certo tempero, sobretudo numa América Latina que ainda lida com violência política, mantida pelo poder estatal e disposta a silenciar os opositores de regimes conservadores e criminosos.
O autor se mostra alegre com a boa crítica, mas sobretudo pelo apoio do mercado editorial e à recepção no público, apesar do volume de texto da obra. Com motivação pessoal, tempo para dedicar à pesquisa e amor pela tarefa de biografar, Metaxas fala da determinação, do empenho e do prazer com que se dedicou à tarefa, informando que foi o período de esforço mais concentrado que já fez, atitude que lembra o depoimento de Umberto Eco em O Nome da Rosa: pós-escrito e, sem falso moralismo, admitindo que desejou que sua obra fosse definitiva. Read the rest of this entry »
Censo e religião: algumas interrogações
Por Maria Clara Lucchetti Bingemer
Em tempos de tolerância religiosa e pluralidade, parece justo e até sadio e positivo que o Censo 2010 que já se encontra em curso no Brasil ofereça como opção para a pergunta: Qual a sua religião? dezessete opções de resposta. Na verdade, dezoito, se contarmos aqueles que não se auto-identificam com nenhuma pertença e são convidados a responder: sem religião.
O dado permite constatar não só a existência e consistência de uma diversidade imensa na pertença religiosa brasileira como a sadia convivência entre as diversas confissões, tranquilamente reconhecida pelo censo. No entanto, alguns matizes na maneira como está elaborada o questionário permitem perceber que não há tanta neutralidade assim na proposta do censo.
Existem dois questionários: o ‘básico’ e o ‘da amostra’. No questionário básico não existe a pergunta: “Qual é a sua religião ou culto?”. Esta, por outro lado, está presente no questionário “da amostra”. Este segundo questionário será aplicado apenas em um número reduzido de domicílios, na proporção de um para cada dez. A religião será, portanto informada por amostragem, como acontece com as estatísticas e desde ai constará do quadro geral do censo. Read the rest of this entry »
Sobre mídia e pedofilia
Por Rita Saadeh*
PARA ONDE FOI A ETICA DA MAIORIA DOS FORMADORES DE OPINIÃO PÚBLICA- O / A JORNALISTA?
O Jornalista, é , por excelência, “Formador de Opinião Pública”, ou pelo menos deveria se colocar nesse lugar, quando investiu particularmente em tal profissão. Entretanto, na grande maioria das vezes, a realidade do exercício de tal profissão não condiz com a ética exigida.
Segundo as normas exigidas, ele ou ela, que se apresenta como tal, é responsável em oferecer ao público, a informação verdadeira, isenta de qualquer tipo de desvio com a finalidade que o cidadão/ã comum, interprete a realidade dos fatos, de maneira lúcida, crítica e coerente. Deve, portanto, possuir uma formação intelectual, humana e ética, aliada às competências técnicas necessárias para mediar os debates públicos, fornecidos através dos meios de comunicação e , a partir dos quais, é formada a “opinião pública”.
Além disso, qualquer Jornalista consciente de sua função social, cuja ferramenta principal é estar de frente a diversos tipos de constrangimentos, aos quais sua produção poderá estar sujeita, é necessário, acima de tudo que, tenha uma postura ilibada em favor da liberdade de expressão, sem acepção de qualquer classe social, sobretudo, com um cuidado especial, àqueles que, mais empobrecidos em todos os sentidos, são marginalizados e sem voz ativa dentro de uma sociedade injusta e sem parâmetros éticos,para que tenham acesso também à verdade, garantidos pelo direito de cidadãos/ãs. Portanto, esta é a razão mais forte que deve mover tal profissional, lembrando que a “massa popular desfavorecida” sendo a grande maioria da população, seja , cada vez mais, instruída e conscientizada, contribuindo assim para que essa “massa popular” seja menos manipulada no único momento que é solicitada e lhe é dado o direito de voz, que é no momento da escolha do VOTO.
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O orgulho da ignorância
Por Antonio Carlos Ribeiro
O noticiário dos jogos da Copa do Mundo de Futebol, que se realiza na África do Sul, chega aos Estados Unidos com um ingrediente indigesto: a falta de cultura geral de repórteres, editores e apresentadores. O congraçamento que reúne delegações dos diversos países, a troca de vivências dos atletas e do público, a celebração das diferenças com a marca comum da dignidade humana, ofende os centros de poder político. E a falta que faz o olhar para o outro. E a mídia, ao repercutir a limitação, estimula a arrogância.
O noticiário da Copa do Mundo é vítima da imprensa conservadora dos Estados Unidos, comentaram os jornais O Globo e O Estado de São Paulo, também conservadores. Há artigos e comentários em diversas mídias atacando a popularização do futebol no país. As razões são mais mal informadas do que as intenções políticas. Eles dizem que se trata de uma “modalidade esportiva de pobre”, “coisa de sul-americano”, segundo os autores, resultado da crescente influência dos hispânicos e das “políticas socialistas” do presidente Obama.
O comentarista conservador Glenn Beck, da Fox News – o conglomerado de mídia de Ruppert Murdoch, o milionário de extrema direita, para o qual Obama não concede entrevistas – chegou a afirmar que “não importa quantas celebridades o apoiam, quantos bares abrem mais cedo, quantos comerciais de cerveja eles veiculam, nós não queremos a Copa do Mundo, nós não gostamos da Copa do Mundo, não gostamos do futebol e não queremos ter nada a ver com isso”, esbravejou. E indicou a razão: “o restante do mundo gosta das políticas de Obama, mas nós não”, pensando falar em nome de todo o povo estadounidense. Read the rest of this entry »
Ranking revela universidades líderes na América Latina
Estudo mediu a produção científica de quase 500 instituições de educação superior na América Latina e Caribe. Brasil, México, Argentina e Chile, nesta ordem, são os líderes da produção científica, segundo o Ranking Iberoamericano SIR 2010, que inclui universidades da América Latina, Caribe, Espanha e Portugal. Duas universidades do Brasil (Universidade de São Paulo e Universidade de Campinas) e uma do México (Universidade Nacional Autônoma do México, UNAM) são as mais produtivas cientificamente.
Leia a matéria na Carta Maior
Panikkar, uma visão oriental do catolicismo
A discussão teológica católica é vivaz. Bem além dos confins dos “palácios”. Não é fácil se dar conta disso. Entre as vozes mais brilhantes e originais, é preciso incluir certamente a de Ramon Panikkar, talvez o mais conhecido e interessante.
De origem catalã, é sacerdote católico, de tradição ao mesmo tempo católica e indiana. Depois de ter ensinado teologia na Europa e nos EUA, agora, na velhice, vive em uma espécie de ermo nas montanhas da Catalunha.
A editora Jaka Book está publicando, em uma série de 16 volumes, todas as suas obras traduzidas em italiano. Em sua base, o encontro fecundo entre as religiões asiáticas e o cristianismo, e assim a condenação de toda a forma de exclusivismo e a concepção da verdade como rica, elástica, sempre nova, sempre em crescimento.
“Não podemos nos aproximar das outras religiões nem empreender um diálogo religioso fecundo se não deixarmos de absolutizar as nossas categorias, adquirindo essa nova inocência que nos permite entrar não em um novo paraíso, mas sim nos jardins de outras culturas, sem fazer mal a elas ou utilizá-las em nossa vantagem”.
No panorama cristão, Panikkar valoriza e exalta principalmente o Espírito Santo e o Deus entendido diretamente e sobretudo como Trindade. É enorme o espaço para a mística: “Só o místico pode sobreviver na sociedade atual, sem se tornar terrorista violento ou cínico totalmente indiferente. Só o místico pode conservar a integridade do seu ser, porque está em comunhão com toda a realidade”.
É vivíssima em Panikkar a consciência da unidade de toda a realidade. Uma teologia, a de Panikkar, não fácil para os nossos costumes ocidentais, que provavelmente olharemos com interesse crescente.
(Fonte IHU)
Igreja Luterana na Finlândia elege primeira bispa
Por Antonio Carlos Ribeiro
A Igreja Evangélica Luterana da Finlândia (ELCF) elegeu, pela primeira vez, uma bispa, a pastora Irja Askola, que assumirá a congregação de Helsinque.
O secretário-geral da Federação Luterana Mundial (FLM), Ishmael Noko, felicitou, hoje, Askola e a Igreja pela eleição.
Askola, 57 anos, era assistente do bispo da diocese de Espoo. Ela trabalhou na Conferência das Igrejas da Europa de 1991 a 1999, baseada em Genebra. Em 1975, concluiu mestrado em Teologia e foi ordenada pastora em 1988. Sua paróquia de origem é Alppila.
Noko destacou que a bispa eleita Askola “é bem conhecida no mundo ecumênico e traz sua enorme experiência ecumênica para seu novo cargo”. Noko disse: “Nós sabemos que ela é comprometida com o ministério, inclusive de homens e de mulheres, em toda a igreja”.
A nova bispa foi eleita em segundo turno, na votação ocorrida na quinta-feira, 3, conquistando o posto com 591 votos, enquanto seu concorrente, o reverendo Matti Poutiainen, alcançou 567 votos.
O bispo Eero Huovinen, que liderou a diocese de Helsínque desde 1991, vai se aposentar no outono próximo. Ele também é vice-presidente da FLM para a região nórdica. Askola assumirá o novo cargo em setembro.
As mulheres já são ordenadas na Finlândia desde 1986, mas embora algumas tenham sido indicadas para o episcopado, inclusive Askola, nenhuma chegou à votação final.
A ELCF tem cerca de 4,5 milhões de membros, representando mais de 80% da população da Finlândia, e se associou à FLM em 1947.
(Fonte ALC)
Sinal só é sinal quando é sinal…
Por Leonardo Reis e Pe Celson Altenhofen
“Se o sal perde o sabor, com que lhe será restituído o sabor? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e calcado pelos homens” (Mt 5, 13).
Toda a fundamentação dos sacramentos ministrados pela nossa Igreja pode ser encontrada nas Sagradas Escrituras, mais especificamente, nas ações vividas por Jesus Cristo. Estes são sinais visíveis de Deus no mundo hoje e têm a finalidade de acompanhar toda a nossa caminhada, configurando-a e nos auxiliando no processo de nos configurarmos à imagem de Cristo.
Deus mesmo fala por sinais (“falou de muitas maneiras…”). Quando quis se tornar presente neste mundo para reconstruir seu plano, tornou-se um sinal. Fez-se visível, palpável, através da encarnação tornando-se, pois um sacramento. Voltando para o Pai, Cristo deixa-se continuar aqui através de um sinal: a Igreja. O mistério de Cristo perpetua-se na Igreja pela presença sua, que a serve mediante aqueles sinais instituídos por Ele próprio, que significam e produzem o dom da graça e são designados como sacramentos.
A palavra latina “sacramentum” significa, etimologicamente, algo que santifica e equivale em grego ao vocábulo “mistério”: coisa sagrada, oculta ou secreta. Read the rest of this entry »


