Biógrafo acrescenta adjetivo espião a Bonhoeffer
sexta-feira, setembro 3rd, 2010O mundo moderno aprendeu a gostar do teólogo luterano que resistiu ao nazismo e participou da conspiração da resistência que planejou o atentado contra Adolph Hitler. Tinha clareza de raciocínio e piedade, era jovem, brilhante, ecumênico, foi pastor na Espanha, residiu em Londres, estudou no Union, em Nova Iorque, atuou no Seminário de Finkenwald e na Igreja Confessante, já que a oficial apoiou o nazismo, e escreveu um clássico da mística moderna: O preço do discipulado (Nachfolge, em alemão).
Esse era o perfil que o tornava intrigante aos olhos do público teológico. Quando se pensava conhecer o básico sobre uma vida cheia de significado desse homem de fé, teólogo agudo e militante ousado, que enfrentou um regime desumano, eis que surge a obra de Eric Metaxas (Bonhoeffer: Pastor, Martyr, Prophet, Spy. Minneapolis: Augsburg Fortress Press, 2010) acrescentando aos honoráveis títulos de pastor, mártir e profeta, o de espião.
Isso não abala os traços da vida deste profeta moderno que discordou da igreja do Reich e, como João Batista, foi uma voz no deserto. Mas acrescenta certo tempero, sobretudo numa América Latina que ainda lida com violência política, mantida pelo poder estatal e disposta a silenciar os opositores de regimes conservadores e criminosos.
O autor se mostra alegre com a boa crítica, mas sobretudo pelo apoio do mercado editorial e à recepção no público, apesar do volume de texto da obra. Com motivação pessoal, tempo para dedicar à pesquisa e amor pela tarefa de biografar, Metaxas fala da determinação, do empenho e do prazer com que se dedicou à tarefa, informando que foi o período de esforço mais concentrado que já fez, atitude que lembra o depoimento de Umberto Eco em O Nome da Rosa: pós-escrito e, sem falso moralismo, admitindo que desejou que sua obra fosse definitiva. (mais…)


Em seu segundo dia de atividades, na noite de quinta-feira (20), a Semana de Teologia 2010 apresentou, no auditório G2, a conferência “A mística cristã na contemporaneidade”, realizada pela professora de Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Maria Clara Bingemer.
Mística não é uma palavra bonita. Dá um pouco de medo, lembra jejuns e também possíveis delírios. A desconfiança se desfaz quando se encontra um “místico”, uma pessoa, homem ou mulher, que vive o outro mundo. Porque se verdadeiramente aquele ou aquela é capaz de entrar no mysterium, que etimologicamente precede a mística, então não será um homem triste.