Archive for the ‘Teologia’ Category

Biógrafo acrescenta adjetivo espião a Bonhoeffer

sexta-feira, setembro 3rd, 2010

Por Antonio Carlos Ribeiro

O mundo moderno aprendeu a gostar do teólogo luterano que resistiu ao nazismo e participou da conspiração da resistência que planejou o atentado contra Adolph Hitler. Tinha clareza de raciocínio e piedade, era jovem, brilhante, ecumênico, foi pastor na Espanha, residiu em Londres, estudou no Union, em Nova Iorque, atuou no Seminário de Finkenwald e na Igreja Confessante, já que a oficial apoiou o nazismo, e escreveu um clássico da mística moderna: O preço do discipulado (Nachfolge, em alemão).

Esse era o perfil que o tornava intrigante aos olhos do público teológico. Quando se pensava conhecer o básico sobre uma vida cheia de significado desse homem de fé, teólogo agudo e militante ousado, que enfrentou um regime desumano, eis que surge a obra de Eric Metaxas (Bonhoeffer: Pastor, Martyr, Prophet, Spy. Minneapolis: Augsburg Fortress Press, 2010) acrescentando aos honoráveis títulos de pastor, mártir e profeta, o de espião.

Isso não abala os traços da vida deste profeta moderno que discordou da igreja do Reich e, como João Batista, foi uma voz no deserto. Mas acrescenta certo tempero, sobretudo numa América Latina que ainda lida com violência política, mantida pelo poder estatal e disposta a silenciar os opositores de regimes conservadores e criminosos.

O autor se mostra alegre com a boa crítica, mas sobretudo pelo apoio do mercado editorial e à recepção no público, apesar do volume de texto da obra. Com motivação pessoal, tempo para dedicar à pesquisa e amor pela tarefa de biografar, Metaxas fala da determinação, do empenho e do prazer com que se dedicou à tarefa, informando que foi o período de esforço mais concentrado que já fez, atitude que lembra o depoimento de Umberto Eco em O Nome da Rosa: pós-escrito e, sem falso moralismo, admitindo que desejou que sua obra fosse definitiva. (mais…)

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Panikkar, uma visão oriental do catolicismo

segunda-feira, junho 14th, 2010

A discussão teológica católica é vivaz. Bem além dos confins dos “palácios”. Não é fácil se dar conta disso. Entre as vozes mais brilhantes e originais, é preciso incluir certamente a de Ramon Panikkar, talvez o mais conhecido e interessante.

De origem catalã, é sacerdote católico, de tradição ao mesmo tempo católica e indiana. Depois de ter ensinado teologia na Europa e nos EUA, agora, na velhice, vive em uma espécie de ermo nas montanhas da Catalunha.

A editora Jaka Book está publicando, em uma série de 16 volumes, todas as suas obras traduzidas em italiano. Em sua base, o encontro fecundo entre as religiões asiáticas e o cristianismo, e assim a condenação de toda a forma de exclusivismo e a concepção da verdade como rica, elástica, sempre nova, sempre em crescimento.

“Não podemos nos aproximar das outras religiões nem empreender um diálogo religioso fecundo se não deixarmos de absolutizar as nossas categorias, adquirindo essa nova inocência que nos permite entrar não em um novo paraíso, mas sim nos jardins de outras culturas, sem fazer mal a elas ou utilizá-las em nossa vantagem”.

No panorama cristão, Panikkar valoriza e exalta principalmente o Espírito Santo e o Deus entendido diretamente e sobretudo como Trindade. É enorme o espaço para a mística: “Só o místico pode sobreviver na sociedade atual, sem se tornar terrorista violento ou cínico totalmente indiferente. Só o místico pode conservar a integridade do seu ser, porque está em comunhão com toda a realidade”.

É vivíssima em Panikkar a consciência da unidade de toda a realidade. Uma teologia, a de Panikkar, não fácil para os nossos costumes ocidentais, que provavelmente olharemos com interesse crescente.

(Fonte IHU)

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Sinal só é sinal quando é sinal…

quinta-feira, junho 10th, 2010

Por Leonardo Reis e Pe Celson Altenhofen

“Se o sal perde o sabor, com que lhe será restituído o sabor? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e calcado pelos homens” (Mt 5, 13).

Toda a fundamentação dos sacramentos ministrados pela nossa Igreja pode ser encontrada nas Sagradas Escrituras, mais especificamente, nas ações vividas por Jesus Cristo. Estes são sinais visíveis de Deus no mundo hoje e têm a finalidade de acompanhar toda a nossa caminhada, configurando-a e nos auxiliando no processo de nos configurarmos à imagem de Cristo.

Deus mesmo fala por sinais (“falou de muitas maneiras…”). Quando quis se tornar presente neste mundo para reconstruir seu plano, tornou-se um sinal. Fez-se visível, palpável, através da encarnação tornando-se, pois um sacramento. Voltando para o Pai, Cristo deixa-se continuar aqui através de um sinal: a Igreja. O mistério de Cristo perpetua-se na Igreja pela presença sua, que a serve mediante aqueles sinais instituídos por Ele próprio, que significam e produzem o dom da graça e são designados como sacramentos.

A palavra latina “sacramentum” significa, etimologicamente, algo que santifica e equivale em grego ao vocábulo “mistério”: coisa sagrada, oculta ou secreta. (mais…)

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A Bíblia e sua mensagem, lançamento amahã na PUC-Rio

terça-feira, junho 8th, 2010

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Professor de Bíblia da PUC-Rio lança livro

terça-feira, junho 1st, 2010

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Semana de Teologia na UNICAP

segunda-feira, maio 24th, 2010

Em seu segundo dia de atividades, na noite de quinta-feira (20), a Semana de Teologia 2010 apresentou, no auditório G2, a conferência “A mística cristã na contemporaneidade”, realizada pela professora de Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Maria Clara Bingemer.

Antes do início da conferência os organizadores da semana fizeram um sorteio de brindes com os participantes. Em seguida, a mesa foi formada pelo coordenador dos trabalhos da noite, professor Degislando Nóbrega, diretor do Centro de Teologia e Ciências Humanas (CTCH), e pela palestrante professora da PUC-Rio Maria Clara Bingemer.

Professor Degislando Nóbrega deu as boas-vidas à convidada e agradeceu sua presença, em nome do Reitor, Padre Pedro Rubens, que estava no aniversário do Madrigal. Em seguida, passou a palavra para a conferencista.

Maria Clara Bingemer agradeceu o convite de retornar à Universidade Católica de Pernambuco e deu início à sua participação. “Eu tenho me detido neste tema há muito tempo. A mística cristã num século (XX) sem Deus”. O Boletim Unicap perguntou à professora Maria Clara o que ela acha da aproximação da Unicap com a Arquidiocese de Olinda e Recife? “Tudo que é para juntar forças é ótimo. A universidade é um lugar de promover o estudo e a pesquisa teológica e esta aproximação com a Arquidiocese é muito boa”.

(Fonte  UNICAP)

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Raimond Panikkar: felicidade no momento presente

quinta-feira, maio 20th, 2010

Mística não é uma palavra bonita. Dá um pouco de medo, lembra jejuns e também possíveis delírios. A desconfiança se desfaz quando se encontra um “místico”, uma pessoa, homem ou mulher, que vive o outro mundo. Porque se verdadeiramente aquele ou aquela é capaz de entrar no mysterium, que etimologicamente precede a mística, então não será um homem triste.

Assim ensinam as grandes tradições religiosas, e assim lemos também nas páginas de uma figura ao mesmo tempo fascinante e tímida, um padre com quase 92 anos que vive nos Pirineus em Tavertet, na Espanha, com 150 habitantes. Catalão de origens indianas, Raimond Panikkar escreveu muito nas últimas décadas e muito recolheu das tradições familiares. Muito foi amado e muito também foi criticado por causa da excessiva – no parecer de alguns – suavidade com a qual aproximou as tradições cristãs e o Oriente, Jesus e Buda. “Não me considero meio espanhol e meio indiano, meio católico e meio hindu, mas totalmente ocidental e totalmente oriental”, afirma, concluindo: “Sempre fui atraído por aquilo que se costuma chamar de problema religioso”.

A reportagem é de Maria Bettetini, publicada no jornal Il Sole-24 Ore, 16-05-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

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Detentos do IPPOO no Ceará se graduarão em Teologia neste semestre

segunda-feira, maio 10th, 2010

Por Tatiana Felix

Quatro detentos do Instituto Penal Professor Olavo Oliveira II (IPPOO II), no Ceará, se graduarão, neste ano, como “Bacharéis em Teologia”. O resultado é fruto da concretização do projeto “Uma alternativa para a reintegração social”, promovido pela Pastoral Carcerária da Arquidiocese de Fortaleza e pela Faculdade Católica do Ceará.

A proposta surgiu em 2006 para atender a demanda de um detento e para promover uma tentativa de ressocialização dos presos na sociedade. Após contato entre as organizações, direção do presídio e a Secretaria de Segurança Pública do Estado, a Faculdade Católica, que na época era o Instituto de Ciências da Religião (ICRE), em parceria com a Pastoral Carcerária, conseguiram colocar a ideia em prática.

No início, lembrou o padre Luís Sartorel, diretor financeiro da faculdade, foi difícil ministrar as aulas, porque os alunos tiveram permissão para prestar o vestibular e também freqüentar as aulas na faculdade, porém, o transtorno da escolta policial e das algemas fez com que a faculdade tivesse que pensar em uma alternativa. E, depois de toda articulação foi possível levar os professores até o presídio. (mais…)

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Em cada ser humano há traços de Deus

sábado, maio 1st, 2010

Por Leonardo Reis*

“Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor” (1Jo 4, 8).

Se analisarmos de uma maneira ampla a vivência religiosa, ou melhor, a relação que as pessoas estão estabelecendo atualmente com o sagrado, percebemos basicamente três modos diferentes de relacionamento: fundamentalismo religioso, indiferentismo religioso ou ateísmo (que hoje está cada vez mais forte e com suas razões, muito provavelmente devido às duas outras alternativas apresentadas).

Talvez devido à falta de segurança trazida pela cultura globalizada atual, onde temos contatos com diversas formas de religiões ou religiosidades, somado ao pouco conhecimento e estudo sobre a sua própria religião e ao medo de perder a sua identidade, nesse cenário aparentemente incerto e nebuloso surgem, provavelmente em todas as  religiões existentes, correntes fundamentalistas. Grupos de indivíduos que praticam e interpretam seus escritos sagrados ou seus legados religiosos de forma literal, afastando-se, na maioria das vezes, da intencionalidade primária desses mesmos conteúdos doutrinários que estão interpretando. Tornam-se indivíduos severos, na maioria das vezes sem alegria, extremamente críticos consigo mesmo e com o outro. A religião torna-se um grande peso em suas vidas e sua relação com o sagrado ou com “deus” é vista para conseguir proteção ou bênçãos.

Nos dias atuais também percebemos o crescimento de práticas religiosas vividas de forma mais relativizadas, onde seus membros praticam e experimentam aquilo que lhe dá mais prazer. Algumas vezes vivenciadas dentro de um sincretismo religioso, ou seja, pessoas que frequentam e praticam mais de uma religião, mesmo se estas se contradizem. Com isso, a religiosidade continua crescente hoje em dia, mas as religiões tradicionais, sobretudo as cristãs históricas, diminuem. (mais…)

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Vivo

quarta-feira, abril 28th, 2010

Composição: Lenine/Carlos Rennó

Precário, provisório, perecível;
Falível, transitório, transitivo;
Efêmero, fugaz e passageiro
Eis aqui um vivo, eis aqui um vivo!

Impuro, imperfeito, impermanente;
Incerto, incompleto, inconstante;
Instável, variável, defectivo
Eis aqui um vivo, eis aqui…

E apesar…
Do tráfico, do tráfego equívoco;
Do tóxico, do trânsito nocivo;
Da droga, do indigesto digestivo;
Do câncer vil, do servo e do servil;
Da mente o mal doente coletivo;
Do sangue o mal do soro positivo;
E apesar dessas e outras…
O vivo afirma firme afirmativo
O que mais vale a pena é estar vivo!

É estar vivo
Vivo
É estar vivo

Não feito, não perfeito, não completo;
Não satisfeito nunca, não contente;
Não acabado, não definitivo
Eis aqui um vivo, eis-me aqui!

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