Archive for the ‘masculinidades’ Category

Chega ao mercado camiseta-cinta para homens!

terça-feira, janeiro 5th, 2010

Por Cristine Gerk

Os homens estão cada vez mais vaidosos. E as lojas que quiserem ganhar dinheiro nessa onda “metrosexual” precisam começar a pensar em alternativas masculinas para produtos que já conquistaram o mercado feminino.

Uma loja de departamentos britânica foi pioneira nesse sentido! A Mark & Spencer (M & S) está lançando uma camiseta para homens que “esconde” a barriga, no estilo másculo da famosa cinta. A exemplo dos espartilhos usados pelas mulheres no passado, a camiseta da foi criada para formar uma silhueta mais magra.

O produto, que será vendido a partir da próxima semana por 15 libras (R$ 41), é desenhado para achatar a barriga e modelar o torso usando costuras especiais e um suporte acolchoado oculto.

A (M & S) diz que testes realizados com os dois produtos da linha – a camiseta e um espartilho – permitiram uma redução de até 2,5 cm na cintura.

“Nossa linha Bodymax foi criada como resposta a esse fenômeno, dando aos homens uma solução rápida para aquelas protuberâncias do mesmo jeito que roupas do tipo feitas para mulheres”, disse um porta-voz da rede.

As camisetas e o espartilho (vendido por R$ 33) são feitos de algodão e serão oferecidos nas cores preto e branco. Boa para comprar para o maridão preguiçoso, hein? A loja vende pela internet. A notícia é da BBC Brasil.

(Fonte SRZD)

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“Papo Calcinha” posa de liberal sobre sexo, mas é só machismo disfarçado

sexta-feira, dezembro 18th, 2009

Por Nina Lemos

Quatro mulheres bonitas (e principalmente gostosas) falam sobre sexo usando pouca roupa e tomando vinho. Essa é a fórmula do programa “Papo Calcinha”, atração do Multishow no ar todas as noites.

O “debate” parece ser mais dirigido a homens do que a mulheres. Para começar, é exibido entre dois programas eróticos, daqueles que mostram “gatas” nuas em paisagens selvagens ou se agarrando em festas.

“Papo Calcinha”, mais do que funcionar como uma conversa com a qual as telespectadoras possam se identificar -a exemplo do que o nome sugere-, deve servir para excitar verbalmente espectadores machos. Afinal, as moças falam sobre posições sexuais, tirar a virgindade de homens, “dar” ou não na primeira vez. E o casting de moças atraentes inclui uma bissexual (fetiche masculino). (mais…)

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Tinha uma câmara no sapato para filmar mulheres de saia

terça-feira, novembro 24th, 2009

Um homem de 53 anos foi detido, no último fim-de-semana, em flagrante delito, com uma câmara de filmar no sapato. Segundo a polícia de St. Petersburg, na Florida, EUA, ele usava este equipamento para filmar por baixo das saias de várias mulheres.

William Wright conseguiu fazer várias imagens indecentes em diferentes pontos da cidade. No entanto, uma mulher que suspeitava dos seus movimentos, reconheceu-o num supermercado e chamou a polícia local.

Os agentes revistaram o norte-americano e encontraram o equipamento tecnológico.

(Fonte IOL)

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Inovação no modelo de negócio: Barbearia Club – Coisa de Macho!

quinta-feira, outubro 15th, 2009

Por Rosângela Angonese

Hoje vamos falar da Barbearia Club, Coisa de Macho! Isso mesmo, esse é o slogan de um negócio que parece em extinção.

E o mais curioso, a Barbearia Club foi idealizada por uma mulher, Meire Ferreira Pinto. Executiva de uma indústria de cosméticos, atenta às mudanças de mercado, observou que o segmento de produtos masculinos vinha crescendo e se especializando cada vez mais. Por outro lado, a oferta de serviços pessoais destinada aos homens carecia de espaços exclusivos.

Mas isso não era suficiente, ela precisava conhecer mais o mercado, saber o que os homens queriam, que tipo de ambiente gostariam de freqüentar para cortar o cabelo ou fazer a barba, como deveriam ser os serviços etc. Com essas e outras perguntas, iniciou uma extensa pesquisa de mercado.
Resultado: Criação de um modelo de negócio inovador para um serviço comum. (mais…)

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Quando o celibato obrigatório ‘cair’!

sexta-feira, setembro 11th, 2009

Por Dirceu Benincá

Há uma contradição estrutural e de orientação pastoral na Igreja Católica. E é bom que se discuta sobre isso. Alguns falam até em esquizofrenia, o que já caracterizaria uma espécie de doença. Ocorre que se prega a importância da Missa dominical e da Eucaristia nas comunidades, o que, de fato, é fundamental na vida cristã. Para a realização do ritual da consagração é necessário que haja ministros ordenados, que são proporcionalmente poucos entre os católicos.

Ao longo de sua história, a Igreja tem adotado a estratégia de incentivar a oração pelo surgimento de vocações sacerdotais celibatárias. Entretanto, essas vocações não conseguem atender muitas demandas existentes. Como forma de diminuir esse problema, em tempos recentes inovou-se, instituindo ministros e ministras extraordinários que têm a função de distribuir a Eucaristia. Mas, o poder de consagrar continua restrito aos homens declaradamente celibatários.

Se, por um lado, se estimula a Comunhão Eucarística dos fiéis – o que em muitos lugares não acontece por falta de ministros ordenados – por outro, não se consegue avançar na criação de alternativas que permitam todos os cristãos terem acesso dominical ao banquete sacramental. Assim, o que é essencial na vida cristã (a Eucarística) fica prejudicado em função de uma norma disciplinar de caráter secundário estabelecida pela própria instituição. (mais…)

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Aumento do estupro de homens é a mais recente atrocidade no conflito no Congo

quinta-feira, agosto 6th, 2009

Por anos, as colinas de florestas densas e lagos claros e profundos do leste do Congo são um reservatório de atrocidades. Agora, ao que parece, há outro problema crescente: homens estuprando homens.

Jeffrey Gettleman em Goma (Congo) para o New York Times

Eram cerca de 11 horas da noite quando homens armados invadiram a cabana de Kazungu Ziwa, colocaram um facão no seu pescoço e baixaram suas calças. Ziwa é um homem pequeno, de cerca de 1,36 metro. Ele tentou reagir, mas disse que foi rapidamente vencido.

“Então eles me estupraram”, ele disse. “Foi horrível, fisicamente. Eu fiquei tonto. Eu não conseguia pensar.”
(mais…)

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CAMPANHA DO LAÇO BRANCO

quinta-feira, julho 16th, 2009

Segundo dados da Fundação Perseu Abramo, no país, uma mulher é espancada a cada 15 segundos. A maioria por familiares ou parceiros (ex ou atuais). A campanha, coordenada pela Rede de Homens pela Equidade de Gênero, também visa pressionar o poder público a implementar a nova legislação, assegurando a ampliação dos serviços de atendimento às mulheres vítimas de violência e a implementação de ações de prevenção e responsabilização para os homens.

A campanha do Laço Branco (www.lacobranco.org.br) foi iniciada no Canadá como reação a atitude de um rapaz Marc Lepine, que assassinou 14 mulheres que estudavam na Escola Politécnica de Montreal, em 1989, por não concordar que mulheres freqüentassem o espaço.

Articulada com a Organização das Nações Unidas, a campanha está presente na Ásia (Índia, Japão e Vietnã), Europa (Noruega, Suécia, Finlândia, Dinamarca, Espanha, Bélgica, Alemanha, Inglaterra e Portugal), África (Namíbia, Quênia, África do Sul e Marrocos), Oriente Médio (Israel), Austrália e Estados Unidos. A ação do Brasil tem sido considerada exemplar pela rede mundial.

RHEG – A Rede de Homens pela Equidade de Gênero (RHEG) congrega um conjunto de organizações da sociedade civil que atuam na promoção dos direitos humanos, com vistas a uma sociedade mais justa com equidade de direitos entre homens e mulheres. A Campanha do Laço Branco é a principal ação da Rede, a qual compreende um conjunto de estratégias de comunicação com vistas a sensibilizar, envolver e mobilizar os homens no engajamento pelo fim da violência contra as mulheres.

Integram a RHEG: Instituto Papai (PE), Núcleo de Pesquisas em Gênero e Masculinidades (Gema/UFPE); Instituto NOOS de Pesquisas Sistêmicas e Desenvolvimentos de Redes Sociais (RJ), Instituto Promundo (RJ), Coletivo Feminista (SP), ECOS – Comunicação em Sexualidade (SP), Margens/UFSC e a Themis (RS).

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Difícil arte de ser mulher

sábado, junho 27th, 2009

Por Frei Betto

Hours concours em Cannes, um dos filmes de maior sucesso no badalado festival francês foi “Ágora”, direção de Alejandro Amenabar. A estrela é a inglesa Rachel Weiz, premiada com o Oscar 2006 de melhor atriz coadjuvante em “O jardineiro fiel”, dirigido por Fernando Meirelles.

Em “Ágora” ela interpreta Hipácia, única mulher da Antiguidade a se destacar como cientista. Astrônoma, física, matemática e filósofa, Hipácia nasceu em 370, em Alexandria. Foi a última grande cientista de renome a trabalhar na lendária biblioteca daquela cidade egípcia. Na Academia de Atenas ocupou, aos 30 anos, a cadeira de Plotino. Escreveu tratados sobre Euclides e Ptolomeu, desenvolveu um mapa de corpos celestes e teria inventado novos modelos de astrolábio, planisfério e hidrômetro.

Neoplatônica, Hipácia defendia a liberdade de religião e de pensamento. Acreditava que o Universo era regido por leis matemáticas. Tais ideias suscitaram a ira de fundamentalistas cristãos que, em plena decadência do Império Romano, lutavam por conquistar a hegemonia cultural.

Em 415, instigados por Cirilo, bispo de Alexandria, fanáticos arrastaram Hipácia a uma igreja, esfolaram-na com cacos de cerâmica e conchas e, após assassiná-la, atiraram o corpo a uma fogueira. Sua morte selou, por mil anos, a estagnação da matemática ocidental. Cirilo foi canonizado por Roma.

O filme de Amenabar é pertinente nesse momento em que o fanatismo religioso se revigora mundo afora. Contudo, toca também outro tema mais profundo: a opressão contra a mulher. Hoje, ela se manifesta por recursos tão sofisticados que chegam a convencer as próprias mulheres de que esse é o caminho certo da libertação feminina.

Na sociedade capitalista, onde o lucro impera acima de todos os valores, o padrão machista de cultura associa erotismo e mercadoria. A isca é a imagem estereotipada da mulher. Sua autoestima é deslocada para o sentir-se desejada; seu corpo é violentamente modelado segundo padrões consumistas de beleza; seus atributos físicos se tornam onipresentes.

Onde há oferta de produtos – TV, internet, outdoor, revista, jornal, folheto, cartaz afixado em veículos, e o merchandising embutido em telenovelas – o que se vê é uma profusão de seios, nádegas, lábios, coxas etc. É o açougue virtual. Hipácia é castrada em sua inteligência, em seus talentos e valores subjetivos, e agora dilacerada pelas conveniências do mercado. É sutilmente esfolada na ânsia de atingir a perfeição.

Segundo a ironia da Ciranda da bailarina, de Edu Lobo e Chico Buarque, “Procurando bem / todo mundo tem pereba / marca de bexiga ou vacina / e tem piriri, tem lombriga, tem ameba / só a bailarina que não tem”. Se tiver, será execrada pelos padrões machistas por ser gorda, velha, sem atributos físicos que a tornem desejável.

Se abre a boca, deve falar de emoções, nunca de valores; de fantasias, e não de realidade; da vida privada e não da pública (política). E aceitar ser lisonjeiramente reduzida à irracionalidade analógica: “gata”, “vaca”, “avião”, “melancia” etc.

Para evitar ser execrada, agora Hipácia deve controlar o peso à custa de enormes sacrifícios (quem dera destinasse aos famintos o que deixa de ingerir…), mudar o vestuário o mais frequentemente possível, submeter-se à cirurgia plástica por mera questão de vaidade (e pensar que este ramo da medicina foi criado para corrigir anomalias físicas e não para dedicar-se a caprichos estéticos).

Toda mulher sabe: melhor que ser atraente, é ser amada. Mas o amor é um valor anticapitalista. Supõe solidariedade e não competitividade; partilha e não acúmulo; doação e não possessão. E o machismo impregnado nessa cultura voltada ao consumismo teme a alteridade feminina. Melhor fomentar a mulher-objeto (de consumo).

Na guerra dos sexos, historicamente é o homem quem dita o lugar da mulher. Ele tem a posse dos bens (patrimônio); a ela cabe o cuidado da casa (matrimônio). E, é claro, ela é incluída entre os bens… Vide o tradicional costume de, no casamento, incluir o sobrenome do marido ao nome da mulher.

No Brasil colonial, dizia-se que à mulher do senhor de escravos era permitido sair de casa apenas três vezes: para ser batizada, casada e enterrada… Ainda hoje, a Hipácia interessada em matemática e filosofia é, no mínimo, uma ameaça aos homens que não querem compartir, e sim dominar. Eles são repletos de vontades e parcos de inteligência, ainda que cultos.

Se o atrativo é o que se vê, por que o espanto ao saber que a média atual de durabilidade conjugal no Brasil é de sete anos? Como exigir que homens se interessem por mulheres que carecem de atributos físicos ou quando estes são vencidos pela idade?

Pena que ainda não inventaram botox para a alma. E nem cirurgia plástica para a subjetividade.

(Fonte Adital)

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Homens querem mais qualidade de vida com o fim do machismo

domingo, junho 21st, 2009

Os homens estão se conscientizando da importância do combate ao machismo. É que além de problemas sérios para a vida das mulheres como a questão da violência, que precisa ser enfrentada, a prática afeta a qualidade de vida deles e faz com que deixem de participar do convívio familiar, de consultar um médico e de ter uma vida mais feliz. (mais…)

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Palestra sobre Masculinidades

segunda-feira, maio 4th, 2009

A palestra sobre Masculinidades e Violência, com o sociológio francês Daniel Welzer-Lang, autor do livro  Nous, les mecs (Nós, “os homens”, “os caras”, “os machos”) aconteceu no Rio de Janeiro, no último dia 4. Veja abaixo um pouco do que foi debatido:

Leia a entrevista publicada no clam.org.br


Nós, “os caras”

Autor do recém-lançado Nous, les mecs (Nós, “os homens”, “os caras”, “os machos”), o sociólogo francês Daniel Welzer-Lang deu a palestra “Masculinidades e Violência” na Universidade Cândido Mendes, no dia 4 de maio, onde, assim como faz no livro, abordará as construções sociais do masculino, das lutas e transformações das sexualidades e as relações entre as duas questões.

“Nós estamos vivendo, hoje, uma época paradoxal: nunca antes as mulheres, ainda submetidas a formas variadas de dominação masculina, falaram, discutiram e contestaram tanto. Nunca antes os gays, lésbicas e bissexuais abordaram tanto seus modos de vida. Entretanto, os homens continuam em silêncio. A tal ponto que o sociólogo canadense Marc Chabot pôde escrever: ‘A palavra dos homens, é o silêncio’”, afirma Welzer-Lang.

Especialista em questões de gênero, sexualidade e violência – com um enfoque particular na questão do virilismo – Welzer-Lang dirigiu um grande número de pesquisas sobre violência masculina, estupro, prostituição e novas práticas sexuais no espaço público. Além de “Nous, les mec: essai sur le trouble actuel des hommes”(Paris, Payot, 2009), é autor de “Utopies Conjugales” (Paris, Payot, 2009), Les Hommes violents (Paris, Lierre et Coudrier, 1991), Arrête, tu me fais mal… (Montréal, Paris, 1992), traduzido para o espanhol em 2007 sob o título La violencia domestica a traves de 60 preguntas y 59 respuestas , e Violence et masculinité (Montpellier, 1998).

Segundo o sociólogo, seus estudos sobre as mudanças masculinas mostram que, na Europa, a idéia de igualdade homem/mulher se tornou uma evidência para uma grande parte dos homens. “A violência física doméstica, na França, estaria ligada a « apenas » 5% dos companheiros; 10% em uma definição mais ampla da violência. Dito isso, quando se examinam os casos desses 5% de homens ‘violentos’, a maior parte é de jovens formados nos valores viris e homofóbicos”, diz ele ao analisar os laços entre violências domésticas e violências públicas, na entrevista a seguir.

Daniel Welzer-Lang é professor titular do departamento de Sociologia e pesquisador do Laboratório Interdisciplinar Solidariedades, Sociedades, Territórios (LISST)/CNRS) da Universidade de Toulouse II. Sua palestra será realizada na Universidade Cândido Mendes (UCAM), às 16h do dia 4 de maio (Rua da Assembléia, 10 – Auditório do 42º andar – Centro – Rio de Janeiro). O evento está sendo promovido pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC/UCAM) em parceria com o CLAM, o SerH e o ISER..

Nous, les mecs é um título que chama a atenção. Qual a sua pretensão ao escrever este seu novo livro?

Meu propósito é falar de nós, os mecs, os homens. Estamos vivendo, hoje, uma época paradoxal: nunca antes as mulheres, ainda submetidas a formas variadas de dominação masculina, falaram e contestaram tanto. Nunca antes os gays, lésbicas e bissexuais abordaram tanto seus modos de vida. Entretanto, os homens continuam em silêncio. A tal ponto que o sociólogo canadense Marc Chabot pôde escrever: ’A palavra dos homens, é o silêncio’. Então, minha idéia é tentar explicar o porquê desse silêncio; dizer como nós somos socializados, enquanto dominantes, na luta para ver quem é o melhor, o mais forte. Mas também como nós somos socializados de maneira homofóbica e vistos como “os grandes incapazes afetivos”, naquilo que eu chamei, como Maurice Godelier, de “a casa dos homens”, esses lugares onde nos ensinam os valores das masculinidades. Em suma, tentar explicitar a alienação masculina criada pelo sistema de gênero.

Da mesma forma, trata-se de desconstruir a heterosexualidade que nos faz homem ou mulher. Deixemos de ingenuidade. É tempo de os héteros fazerem também seu coming out, falarem da pluralidade de seus desejos e de suas práticas. Para mim, é importante deslocar o olhar, colocar as pseudo-margens (das sexualidades) no centro. Mostrar que todo o sistema sócio-sexual está, hoje, desestabilizado devido às lutas em torno das políticas sexuais. Assim, é preciso explicitar as visões estreitas da heterossexualidade que são transmitidas aos meninos como herança, pelas quais todo o foco é posto sobre a pseudo-diferença dos sexos, a impossibilidade (e a interdição) que nos é legada, de ser “passivo”, penetrado… As angústias e as reações de violência que isso pode gerar. Como, diferentemente das mulheres, nós somos, antes mesmo da nossa puberdade, socializados como clientes….

De que perspectiva Nous, les mecs aborda as relações de gênero hoje?

Eu tento articular duas coisas: primeiramente, a análise geral do sistema de gênero que eu acabo de desenhar em linhas (muito) gerais. Mas minha pretensão é fazer isso pela via da principal lente através da qual nós (os homens) analisamos essa questão. A saber, nosso “eu”. Como eu, um mec (homem,“macho”), vejo as transformações atuais? Se cada um é único, eu tento, como sociólogo, que a análise integre todos os “eus”, esses milhares de homens encontrados ao longo dos meus diferentes estudos – a violência masculina doméstica, o trabalho sexual, a homofobia, a libertinagem, os novos pais e os homens anti-sexistas. Mas também esses homens reunidos em mini-grupos de discussão, durante a preparação do livro. Trata-se, portanto, de começar a realizar o inventário da virilidade obrigatória por todos os mecs, individualmente e coletivamente.

Parece igualmente importante começar a pensar o depois da dominação masculina. Participar, desde o nosso lugar atual de homem, da revolução antropológica que nós estamos prestes a viver. Os homens são, ao menos podem ser também, um motor de mudança do sistema de gênero. Para isso, é preciso mapear os debates atuais. Compreender as dificuldades atuais de interação de homens e mulheres através das nossas duplas socializações. Não significa jogar fora todos os valores ditos masculinos. Certos valores – a solidariedade, o senso de esforço, o esquecimento de si em nome de valores comuns, o fato de ser (não exclusivamente) ativo – são partilháveis por todas as pessoas (homens, mulheres, transgêneros etc). Assim como certos valores classificados como femininos. Em suma, é preciso renegociar o “contrato de gênero”. Não é porque somos dominados (as), oprimidos (as) que temos razão em tudo. Ou porque somos dominantes que estamos errados. Eu dou alguns exemplos, no meu trabalho, em torno das noções do limpo e do correto, no erotismo. Hoje, homens e mulheres sabem o que não querem mais viver – violências, opressões, explorações. Resta-nos conceber o que queremos viver juntos e remover as dificuldades e obstáculos instituídos pelas representações e práticas ligadas ao sistema de gênero.

Sobre que aspecto o conceito de « viriarcado » proposto no seu trabalho se diferencia da noção de patriarcado? Eu utilizo “viriarcado” no sentido que lhe deu a antropóloga feminista Nicole-Claude Mathieu (1985, 1991). Ela definiu o viriarcado como o poder dos homens, sejam eles pais ou não, sejam as sociedades patrilineares, patrilocais ou não. De todo modo, como ela mesma reconhece, esse termo, composto do latim (vir-) e do grego (-arkhia, de arkhein “comandar”) é também insuficiente.

A utilização do conceito de viriarcado busca se distanciar do tema popular do “patriarcado”, reavivado por Christine Delphy, em 1970, quando ela explica a dupla opressão das mulheres (capitalismo + exploração patriarcal da produção doméstica não remunerada, no contexto do contrato de casamento que representa também um contrato de trabalho para as mulheres). O sucesso do conceito de patriarcado, amplamente adotado pelos movimentos sociais, fez com que ele se tornasse um tema mal definido que não leva muito em conta as mudanças na relação entre homens e mulheres.

Assim, hoje, em numerosos países, mesmo vivendo ainda sob uma dominação masculina, as leis sobre a parentalidade suprimiram as vantagens concedidas de fato e de maneira genuinamente “patriarcal” [no sentido antropológico] aos homens. A homoparentalidade, por exemplo, contestou, com sucesso, a naturalidade da predominância dos pais biológicos e sociais. De fato, quanto mais as lutas avançam, mais precisos devemos ser nos instrumentos de análise que concebemos. Isso para conseguir, no melhor dos casos, avaliar o caminho que resta a fazer rumo ao desaparecimento do gênero (o que o senso comum chama de igualdade homens/mulheres, homo/heteros), e também – e nós o esquecemos frequentemente nas análises vitimológicas atuais – para apreciar o caminho já percorrido.

Por falar nisso, é sempre agradável reler os textos dos anos anteriores para se dar conta de que é absurdo dizer que a dominação masculina, ou o patriarcado, se reproduz igual a si mesmo, de maneira a-histórica. Sim, as lutas “rendem” em termos de mudanças individuais e coletivas.

De que maneira, segundo seu ponto de vista, as transformações do modelo patriarcal, ou viriarcal, estão relacionadas às formas atuais de violência, tanto no espaço doméstico quanto no mundo da rua?

Para compreender os laços entre violências domésticas e violências públicas, é preciso, inicialmente, aceitar o postulado dos estudos de gênero sobre a transversalidade público/privado. São as mesmas relações sociais de gênero que constroem os personagens no público e no privado. As relações são transversais. Assim, é porque existe um trabalho doméstico gratuito, realizado pelas companheiras, que certos homens podem fazer uma carreira ascendente e rápida, estando liberados da carga das crianças, do sustento afetivo dos próximos. Assim também, é raro que um homem violento em casa – aquele que pensa ser legítimo manifestar assim sua posição de homem (de superioridade) frente à sua companheira, definida como “mulher” – não seja também dominante no espaço público com seus próximos, definidos socialmente como inferiores a ele. Além disso, é raríssimo que um homem violento no exterior (trabalho, bar ou lazer, onde a repressão das atitudes violentas é mais severa), não o seja também no espaço privado. Eu demonstrei isso amplamente nos meus trabalhos sobre os homens violentos. E esses conhecimentos não são teóricos, pois acolhi homens violentos em um dos primeiros centros da Europa, em Lyon (França), entre 1987 e 1993.

Por outro lado, minhas pesquisas sobre os homens e o masculino, notadamente os estudos sobre as mudanças masculinas, mostram que na Europa a idéia de igualdade homem/mulher se tornou uma evidência para uma grande parte dos homens. Os homens, não sendo o bando de brutos incapazes de pensar – como nos descrevem certos textos naturalistas que infelizmente se reivindicam feministas – se adaptam às novas demandas das mulheres, às evoluções impostas pelas lutas das mulheres, dos gays, das lésbicas… Na medida em que torna-se difícil encontrar empregadinhas submissas, os homens encontram benefícios rapidamente em deixar os hábitos da virilidade machista obrigatória. O que não quer dizer que eles abram mão facilmente dos privilégios masculinos, que não haja “resistências masculinas às mudanças”, ou que as representações carregadas pelas marcas de gênero sejam tão fáceis de modificar.

De todo modo, o número de separações conjugais muito conflituosas, entre homens e mulheres, é minoritário (menos de 5% das separações). E a violência física doméstica, na França, estaria ligada a « apenas » 5% dos companheiros; 10% em uma definição mais ampla da violência. Dito isso, quando se examinam os casos desses 5% de homens “violentos”, a maior parte é de jovens formados nos valores viris e homofóbicos. Homens que integram, inclusive nas suas construções físicas, a certeza de que nós, os mecs somos mais, melhores e diferentes das mulheres e dos “veados”.

Como provar que se é um cara viril, quando desaparecem todos os privilégios da masculinidade como trabalho, dinheiro, honras, mulheres à disposição e as medalhas de virilidade (carros, reconhecimento…)? Como reagir, então, às mulheres, próximas ou não, que reivindicam ainda mais igualdade? Mulheres que, por vezes, lhe contestam o lugar de homem superior. Mulheres que querem concorrer com você pelos melhores lugares. Como reagir face aos gays, aos homens que não são verdadeiramente homens e que reivindicam agora o tratamento e reconhecimento dado aos homens ditos “normais”? Como se comportar quando o capitalismo globalizado lhe interdita o reconhecimento conferido por um trabalho estável, valorizante, onde podemos realizar nossa “obra” de homem? Em resumo, como permanecer um mec, quando não se tem mais nenhum signo exterior de riqueza? E a crise atual contribui, como também os novos valores do liberalismo mundial, a esse enfraquecimento.

Freqüentemente, não resta nada além da violência para provar, a si mesmo inicialmente e depois aos outros, o fato de que somos e de que permanecemos um mec. É o que eu chamei de “retorno virilista”. Nós temos muitos exemplos, na França, de meninos dos meios populares desempregados, sem trabalho e sem dinheiro, que se lançam em ações violentas entre eles e contra outros para provar sua virilidade.

Não estou dizendo que todas as lutas sociais coletivas, inclusive as lutas violentas, sejam o fruto de homens virilistas, de homens desesperados. Eu penso que certos homens utilizam as lutas sociais coletivas, as formas violentas de contestação, para provar sua virilidade, colocada em cheque pela evolução de nossas sociedades. Nesse sentido há laços entre as violências domésticas e as violências exercidas no espaço público.

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