Adital – Ato Público no Pará pede fim da impunidade em memória à Irmã Dorothy
Tatiana Félix *
Em sua árdua jornada, Dorothy Stang frequentemente denunciava as infrações e, com isso, conseguiu com que o poder público aplicasse multas e indiciamentos aos fazendeiros e grileiros. “Ela estava atrapalhando essa série de crimes que eles cometiam”, disse irmã Rebeca Spires, que trabalhou mais de 30 anos com Dorothy.Para ela e outras pessoas que trabalhavam com a missionária, foi esse o motivo que culminou em seu assassinato, aos 73 anos de idade, no dia 12 de fevereiro de 2005, na cidade de Anapu, região sudeste do Pará.
Em memória aos cinco anos da morte de irmã Dorothy, será realizado um ato público na capital do estado, Belém, com manifestações em frente ao Tribunal de Justiça do Pará. O ato público “Cinco anos sem Dorothy Stang” é promovido pelo Comitê Dorothy, criado logo após seu assassinato.
Dinailson Benassuly, da coordenação do Comitê Dorothy, diz que o ato é de cunho político, já que o clamor é contra a impunidade. “Nem todos os mandantes foram punidos. Quem matou Dorothy foi um consórcio”, denunciou. Ele informou ainda que a maioria dos crimes de pistolagem em terras da floresta amazônica paraense fica impune.
Mesmo com o suporte e apoio de órgãos ligados aos direitos humanos, ele disse que a luta contra o latifúndio é difícil, porque os latifundiários são pessoas com poder político e econômico, fatores que acabam contribuindo para a impunidade. “A investigação é falha e a justiça é lenta”, declarou.
A programação do ato em Belém conta com a realização de atividades políticas, artísticas e celebrações religiosas. O documentário “Mataram Irmã Dorothy” será exibido hoje (11) à noite na Igreja de Confissão Luterana, e amanhã (12) na Paróquia Nossa Senhora Rainha Paz.
Em Anapu, cidade onde foi assassinada, o quinto ano de sua morte será lembrado com a divulgação de várias cartas que Dorothy costumava escrever. De acordo com as religiosas da Congregação, a missionária relatava suas ações em cartas e as enviava aos representantes de órgãos como o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Nestes documentos, há denúncias e nomes de fazendeiros e grileiros.
Com o conteúdo das cartas tornado público, a expectativa é de que as autoridades se empenhem em fazer uma investigação mais profunda e comprometida. Em uma das cartas, escrita em 19 de fevereiro de 2004, irmã Dorothy denuncia a ameaça que famílias sofriam por um madeireiro e por “homens armados”.
Segundo o relato, o fazendeiro estaria ameaçando ainda trabalhadores de uma empresa contratada pelo Incra para fazer a demarcação dos projetos de desenvolvimento social (PDS). “Ele já ameaçou os agrimensores dessa firma contratada pelo Incra para tirar os perímetros oficiais do PDS. Esses homens da firma saíram da mata para não morrer”, diz a carta.
