A beleza como presença do Espírito Santo- Ruah, Pneuma, Paráclito

Ana Maria Tepedino (CEAQ-Sorbonne-Paris )

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Existe uma Torre em Córdoba (Torre de la Calhahorra), onde logo de entrada aparece um diálogo de três sábios: conversam sobre os caminhos para chegar a Deus, a partir de suas experiências religiosas. O Islã enfatiza a beleza, o Judaísmo enfatiza a bondade e o Cristianismo enfatiza a verdade .Podemos dizer que os três caminhos juntos se completam, porque Deus é o bem, a verdade e a beleza, enfim é o AMOR (1 Jo 4,8).

Na América Latina temos refletido há anos em Deus como Justiça, e devemos continuar refletindo e agindo neste sentido, para corresponder ao seu amor; mas podemos fazer o exercício de pensar na beleza, como presença pneumatológica ( Pneuma é outra maneira de falar do Espírito Santo- Paráclito).

A beleza ilumina nossa vida trazendo um sabor novo, uma alegria nova, uma vontade de renovação!

Em tempos de primavera, quando as flores explodem em cores, em texturas diferentes, em tamanhos distintos, fica-se maravilhada-o com a a variedade quase impossível de ser percebida em sua totalidade, e, reproduzida por algum artista. Entendo melhor o pintor Claude Monet que plantou um jardim para poder pintá-lo e o fazia a cada dia e em várias horas, para poder captar sua beleza.. E nunca se sentia satisfeito de todo. Nunca parecia corresponder totalmente!

O Espírito Santo, Paráclito nos faz ver a beleza, sentir a beleza infundida em nossa vida, mesmo no meio dos momentos difíceis. Quantas vezes no meio dos sofrimentos á vista de uma paisagem ou de uma flor nos anima  a continuar ao caminho.

O Espírito Santo em nossa vida, em nossa interioridade, em nossa corporeidade  nos infunde um olhar que nos faz admirar, contemplar, se extasiar. A beleza fala do Mistério, da generosidade divina  em presentear a mulher e o homem com esta dádiva tão grande. Nos infunde um olhar acariciante com relação à natureza,  e carinhoso com relação às pessoas, faz-nos descobrir um cotidiano mais bonito, um brilho nas relações , enfim, redescobrir a alegria de viver.

Mas, precisamos cultivar a beleza, valorizar o cotidiano,  curtir as relações porque há um efêmero na beleza, nas relações. Assim, como uma flor nasce um botão abre em esplendor, fenece para abrir em outro lugar.  Daí, a importância do olhar maravilhado , amoroso, agradecido para as coisas e pessoas, para o cuidado com a natureza e com as relações que a o Espírito Santo não deixa passar desapercebidas.

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