Em entrevista coletiva concedida na tarde desta quinta-feira, 21, em Brasília, a presidência da CNBB manifestou o apoio da Igreja à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 047/2003, que recomenda a inclusão do direito à alimentação entre os direitos sociais estabelecidos no Artigo 6º da Constituição Federal (CF).
“Reiteramos a necessidade de incluir da alimentação na Constituição Federal como direito social. Incluir isso na Carta Magna brasileira representa um avanço muito grande para os famintos, já que este benefício social [o alimento] nem sempre é alcançado por todos. Garantir alimento é garantir vida”, explicou o presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio Rocha.
De acordo com o presidente, a organização social do país não favorece os pobres e necessitados. “A organização social brasileira é frágil, pois privilegia os grandes latifundiários, monocultores e esquece que [o Brasil] tem uma população enorme passando fome. A CNBB trabalha para que seja aprovada a PEC 047/2003. Embora sendo um direito natural, o alimento deve fazer parte da nossa Constituição [como um direito social]”, afirma dom Geraldo. Segundo o arcebispo, isso obrigaria o Governo a garantir o alimento a todos.
Terras na Amazônia
Indagado sobre a questão da terra na Amazônia, o secretário geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa, afirmou que a “luta” pela posse da terra na região é desigual e coloca ricos contra pobres. “A luta pela posse da terra na Amazônia é uma luta antiga. Do lado mais fraco estão à população ribeirinha, os índios, os quilombolas; do outro, estão os produtores latifundiários, os monocultores de cana-de-açúcar e usineiros do etanol que pensam apenas na exportação, tratando assim de uma disputa injusta em que o pobre sempre leva desvantagem. Nós acreditamos mesmo é na agricultura familiar como base da autossustentabilidade do povo das regiões mais carentes e da Amazônia”, afirmou.
PEC do divórcio
Questionado sobre Proposta de Emenda à Constituição 22/99, chamada de “PEC do Divórcio”, que acaba com a separação judicial e agiliza o divórcio, o presidente da CNBB disse que isso é irrelevante e não entra no mérito da questão que é a indissolubilidade do matrimônio. “A Igreja vai continuar afirmando que o matrimônio é indissolúvel”, acentuou.
O vice-presidente, dom Luiz Soares Vieira, concordou com o presidente e destacou que tal medida só “banaliza” o matrimônio “já tão banalizado”.
Para o secretário, o importante é educar para o amor. “O amor pede eternidade e fidelidade. O que acontece nos dias de hoje é que estão banalizando o matrimônio. Se os governantes acham que facilitar a separação vai ajudar a desburocratizar a justiça, pelo contrário, haverá ondas de pessoas pedindo o divórcio, por simples comodidade, não insistindo assim no amor”, explicou dom Dimas Lara.
Homofobia
“Nós consideramos que qualquer ser humano, independente da raça, cor, credo, vida sexual, merece todo o nosso respeito. É inconcebível qualquer tipo de discriminação e preconceito” , disse dom Dimas ao ser questionado sobre a lei torna crime a homofobia. “Não podemos discriminar ninguém por ser homossexual, negro, quilombola, índio, migrante. O que há de imperar é o diálogo e o respeito”, completou o secretário.
(com fonte CNBB)
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