A discussão teológica católica é vivaz. Bem além dos confins dos “palácios”. Não é fácil se dar conta disso. Entre as vozes mais brilhantes e originais, é preciso incluir certamente a de Ramon Panikkar, talvez o mais conhecido e interessante.
De origem catalã, é sacerdote católico, de tradição ao mesmo tempo católica e indiana. Depois de ter ensinado teologia na Europa e nos EUA, agora, na velhice, vive em uma espécie de ermo nas montanhas da Catalunha.
A editora Jaka Book está publicando, em uma série de 16 volumes, todas as suas obras traduzidas em italiano. Em sua base, o encontro fecundo entre as religiões asiáticas e o cristianismo, e assim a condenação de toda a forma de exclusivismo e a concepção da verdade como rica, elástica, sempre nova, sempre em crescimento.
“Não podemos nos aproximar das outras religiões nem empreender um diálogo religioso fecundo se não deixarmos de absolutizar as nossas categorias, adquirindo essa nova inocência que nos permite entrar não em um novo paraíso, mas sim nos jardins de outras culturas, sem fazer mal a elas ou utilizá-las em nossa vantagem”.
No panorama cristão, Panikkar valoriza e exalta principalmente o Espírito Santo e o Deus entendido diretamente e sobretudo como Trindade. É enorme o espaço para a mística: “Só o místico pode sobreviver na sociedade atual, sem se tornar terrorista violento ou cínico totalmente indiferente. Só o místico pode conservar a integridade do seu ser, porque está em comunhão com toda a realidade”.
É vivíssima em Panikkar a consciência da unidade de toda a realidade. Uma teologia, a de Panikkar, não fácil para os nossos costumes ocidentais, que provavelmente olharemos com interesse crescente.
(Fonte IHU)
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