Posts Tagged ‘filosofia’

Espiritualidade como experiência de Deus e de sí mesmo.

sexta-feira, abril 16th, 2010

Irenio Silveira Chaves*

A espiritualidade como experiência de Deus e de si mesmo nasce de uma necessidade de se ordenar a própria vida. Essa espiritualidade, porém, não acontece repentinamente. Isso supõe uma conversão, que é antecedida por uma fase de preparação, um tempo para se dar conta da necessidade de uma mudança profunda e genuína, ao se compreender como alguém que se encontra distante de Deus.
Essa preparação implica parar a rotina frenética do cotidiano para que a gente se perceba como alguém amado por Deus. É uma experiência de desespero, que desperta a necessidade de sermos aceitos, acolhidos e perdoados por alguém que tanto nos ama, mesmo sem termos nada de amável em nós mesmos. Trata-se de um tempo de peregrinação em que se reconhece que tudo vem de Deus e que tudo volta para Deus.
A percepção de que todas as coisas estão orientadas para Deus é o princípio fundador dessa experiência de encontro, na qual eu me insiro e desperto para Deus como um fim último da minha existência. Essa é a experiência que nos dá a compreensão de que só há vida de fato em Deus.
Isso nos confere a capacidade de dar um salto das coisas visíveis para as invisíveis, do finito para o eterno. Isso nos chama ao sentido da existência e nos remete a um movimento e uma reordenação da vida a Deus. Quando a reflexão aponta para uma reorientação da vida, a gente se dá conta de que nós não somos resultado do acaso, mas criados para um propósito. A questão é: se sou criado para um propósito, como deve ser a minha vida? O propósito da minha vida se encontra em Deus e cabe a mim buscar uma vida que seja para a maior glória dele.
O homem é criado para um propósito divino e Deus coloca tudo a serviço desse mesmo homem a fim de que ele alcance o fim para o qual foi criado. A vida que resulta dessa compreensão deve ser marcada pela nossa capacidade de se servir das coisas criadas por Deus naquelas circunstâncias que nos ajudem a cumprir o propósito para o qual existimos. Nesse sentido, somos livres para fazer as melhores escolhas nessa direção. E é da minha inteira capacidade desejar aquilo que mais contribui para o cumprimento desse propósito divino.
A experiência de Deus nessa perspectiva é uma experiência de circularidade. Tem a ver com o movimento que expressa a origem do homem a partir de Deus, que o remete a um encontro com Deus como fim último de sua existência e promove um retorno a si mesmo como ser no mundo.
É daí que surge a necessidade da celebração exultante a esse Deus que me remete de volta a mim mesmo como expressão do seu amor. Surge também um sentimento de temor, uma reverência respeitosa que me leva a não esquecer o amor que Deus tem por mim. E é isso que ainda me impulsiona ao serviço em favor do outro e a Deus. Servir é amar sempre. É aceitar o fato de que Deus tem uma missão, uma tarefa, um ministério para cada um de nós.
Essa experiência de Deus e de si mesmo é na verdade a essência da espiritualidade cristã, que nada mais é do que a experiência de parecer-se mais com Cristo. Estamos falando, portanto, de uma experiência cristológica. Jesus Cristo foi o maior mestre de espiritualidade porque foi essa a sua experiência de vida e essa é a sua proposta de vida para todos os homens.
O que pode resultar de uma experiência assim? Uma abertura para o mundo criado por Deus. A nossa relação com o mundo e com as coisas criadas deve ser em função de uma ordem sustentável, que é o grande desafio da vida. Uma experiência assim dá luz a uma ética da sustentabilidade que considera, ao mesmo tempo, a grandeza do homem – criatura amada e responsável por cuidar de toda a criação – e sua miséria e fragilidade. Isso exige a passagem do homem ideal, autônomo, dotado de vontade e livre, para o homem concreto. É o fim da indiferença – a ataraxia estóica – e a afirmação de um sentimento vivo de se deixar mover por aquilo que toca o coração de Deus.
É preciso trilhar o caminho que me leve a isso, ao desapego e à espera paciente da manifestação da vontade de Deus em minha vida. É a experiência de se pôr a caminho, de se colocar como disponível para que se realize em mim o que Deus de fato tem me preparado.

*Professor universitário; Mestre em Filosofia (Uerj) e Doutorando em Teologia (Puc-Rio); Ministro de maturidade da Igreja Batista da Orla de Niterói.

Fonte: http://filosofiaeespiritualidade.blogspot.com/

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O feminino pelo olhar da filosofia

domingo, setembro 13th, 2009

Por Clarissa Pains

“Esse negócio de ser mulher é mais difícil do que parecia originalmente”. A frase, da filósofa americana Judith Butler, é a epígrafe de Coreografias do feminino, que a jornalista, escritora e professora da PUC-Rio Carla Rodrigues lançou dia 08 de setembro na Livraria Argumento do Leblon. Carla honra Judith e imprime um olhar renovado sobre o feminino e o feminismo; sobre o modo como a sociedade contemporânea pensa a ética e o lugar da mulher. Busca a desconstrução da ideia de que é preciso se encaixar em padrões ou hierarquias.

Desdobramento da dissertação de mestrado em Filosofia, defendida no ano passado, a publicação parte da obra do filósofo franco-argelino Jacques Derrida para descolar etiquetas historicamente atribuídas às mulheres. A professora articula as proposições de Derrida com as de teóricas feministas como Drucilla Cornell, Joan Scott, Diane Elam e Judith Butler. Assim como o filósofo, elas acreditam que o movimento feminista possa fazer política sem necessariamente criar uma identidade exclusiva para as mulheres.

– A ação política em nome de interesses específicos da mulher, como se estes formassem um só bloco, está fadada ao fracasso. Esta é uma discussão sempre atual porque a abordagem não é apenas política, mas filosófica  – observa Carla.

Com as reflexões sobre o lugar da mulher na sociedade, os leitores podem rever conceitos e preconceitos  – como sugere o questionamento da proposta feminista de atribuir à mulher status superior. Para Derrida, pôr as mulheres em posição de superioridade é uma inversão que simplesmente mantém a hierarquia. Aplicar a teoria à prática é, segundo a autora, outra história:

- Derrida é defensor da ideia de que o pensamento deve ser resguardado, independentemente do que virá de aplicação prática depois. Somente pensando é que se pode vir a modificar as coisas.

(Fonte Portal PUC)

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SIMONE WEIL E A FILOSOFIA

sexta-feira, agosto 21st, 2009

O centenário de Simone Weil será comemorado pela PUC-Rio com um evento nos dias 1° e 2 de setembro.  Saiba da programação.

Dia 1° de setembro de 2009
10:00 – 12:00 : Conferencista Miklos Vetö (Simone Weil e a Filosofia)
14:00 – 15:00 : Conferencista Emilia de Moraes (Simone Weil e Rousseau)
15:00 – 16:00: Conferencista Maria da Penha Villela-Petit (Simone Weil e Husserl)
16:30 – 18:30: Mesa-redonda M.Vetö/M.Villela-Petit/R.Chenavie)

Dia 2 de setembro de 2009
10:00 – 12:00 : Conferencista Robert Chenavier (Simone Weil e Marx)
14:00 – 15:00 : Conferencista Maria Clara Bingemer (Simone Weil e Lévinas)
15:00 – 16:00: Conferencista Fernando Rey Puente (Simone Weil e Descartes)
16:30 – 18:30: Lançamento do livro do colóquio de 2007, Rio de Janeiro: “Simone Weil e o encontro entre as culturas”
Exibição do documentário “Simone Weil: um centenário”

O evento será realizado no auditório do CTC  -  prédio Leme, 12 ° andar.

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Hablemos de Dios

domingo, maio 3rd, 2009

O Movimento Internacional Nós Somos Igreja-Portugal,com o apoio do Centro Nacional de Cultura tem o prazer de anunciar uma Conferência Pelas filósofas e co-autoras do livro ‘Hablemos de Dios’Vitoria Camps e Amelia Valcarcel.

Frei Bento Domingues, O.P. fará a apresentação do livro e das conferencistas
Moderadora: Luísa Ribeiro Ferreira
Data: 4 de Maio de 2009 às 18.30
Local: Centro Nacional de Cultura, Largo do Picadeiro, 10 em Lisboa
Metro: Baixa/Chiado, saída Largo do Chiado
NOTA IMPORTANTE: A conferência será em Castelhano
Entrada Livre

Vitoria Camps – Doutora em filosofia e membro do Comité de Bioética de Espanha

Amelia Valcarcel – Doutora em filosofia e presidente da Associação Espanhola de Filosofia Maria Zambrano

Frei Bento Domingues -Teólogo dominicano, escritor, cronista do Jornal Público

Maria Luísa Ribeiro Ferreira – Doutora em Filosofia e professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

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